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PRAIA DAS CABRAS:

Um Campo de Dunas a ser Protegido

Os campos de dunas da Praia das Cabras (Figura 1), no litoral norte do Rio Grande do Sul, sofrem anualmente impactos ambientais devido à crescente ocupação humana. Na prática, esses campos de dunas servem de barreira contra as ressacas do mar e abrigam fauna e flora únicas e totalmente dependentes da preservação desse habitat.

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Figura 1. Pôr-do-sol nas dunas da Praia das Cabras. Fonte: GeoRoteiros.

A Praia das Cabras possui um dos últimos campos de dunas ainda preservados no litoral norte gaúcho. Localiza-se entre os municípios de Cidreira e Tramandaí, possuindo aproximadamente 10 km de extensão por 500 m de largura, até a rodovia RS-786 (Figura 2).

Os campos de dunas são caracterizados por apresentarem dunas dispostas lado a lado e que se movimentam pela ação do vento, mobilizando grãos de areia.

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Figura 2. Localização da Praia das Cabras. Em branco é possível observar o campo de dunas. Fonte: Modificado do Google Earth.

Contexo Geológico

 

A Praia das Cabras está geologicamente inserida na denominada Planície Costeira do Rio Grande do Sul (PCRS), que compreende cinco eventos deposicionais complexos (um Sistema de Leques Aluviais e quatro Sistemas Laguna – Barreira). A região foi formada por grandes oscilações do nível do mar (subidas e descidas) – que são controladas por ciclos climáticos glaciais e interglaciais.

Cada um dos quatro Sistemas Laguna – Barreira é caracterizado, basicamente, por extensas barreiras arenosas (campos de dunas), que isolam as lagoas formadas durante subidas do mar e se dispõem paralelas à linha de costa. Entre a Praia das Cabras e o Morro da Borússia (município de Osório) é possível observar depósitos de dois desses sistemas (Sistema Laguna – Barreira III e IV) (Figura 3).

Durante o Holoceno (que iniciou há 11.000 anos atrás), o clima da Terra sofreu oscilações climáticas (ciclos glaciais e interglaciais), e desenvolveu-se na PCRS um sistema deposicional do tipo laguna – barreira, gerado por um ciclo de subida e descida do mar. A Praia das Cabras esta inserida nesse sistema deposicional (Sistema Deposicional Laguna – Barreira IV). Durante a sua evolução, o nível do mar subiu aproximadamente de 3 a 4 metros acima do atual nível, submergindo áreas como a Laguna do Gentil e a Praia das Cabras (Figura 4A). Quando esse processo de transgressão atingiu seu nível máximo (inicia novamente o ciclo glacial), o mar baixou gradativamente, expondo as áreas escavadas pela ação das ondas, possibilitando a formação das barreiras arenosas e das áreas lagunares. A deposição da Barreira IV (as dunas da Praia das Cabras) se deu principalmente pela acumulação de sedimentos depositados pela ação dos ventos (Figura 4B).

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Figura 3. Desenho representando a Praia das Cabras e o Morro da Borússia (município de Osório). Abaixo, representação do sistema de barreira que a Praia das Cabras forma entre a lagoa do Gentil e o mar. Fonte: Google Earth e GeoRoteiros.

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Figura 4. Figura representando a região entre a Praia das Cabras e o Morro da Borússia. A - Representação do que seria a região durante o máximo de avanço do nível do mar. B - Área de estudo atualmente. Fonte: Google Earth e GeoRoteiros.

As dunas da Praia das Cabras possuem solos muito pobres em nutrientes, (caracterizadas por areias ricas em grãos de quartzo) (Figura 5). A altura dessas dunas varia de 4 a 5 metros, com a formação de pequenos lagos entre as partes mais baixas (Figura 6). Essas dunas estão em constante movimentação, devido à ação de fortes ventos com direção predominante de nordeste (conhecido como “Nordestão” pelos gaúchos), que fazem com que as areias sejam transportadas no sentido sudoeste, levando grandes quantidades destas, continente adentro.

Conhecer para Preservar

 

Esse campo de dunas é importantíssimo na dinâmica sedimentar do litoral gaúcho, pois retém as areais, servindo de barreiras e protegendo os pequenos corpos de água (lagoas) da ação das ondas do mar.

A Praia das Cabras abriga elementos de uma fauna e flora muito peculiar, pois serve de habitat de espécies que só existem ali e que estão ameaçadas de extinção, como o Tuco-tuco (Ctenomys flamarioni) e Liolaemus (Liolaemus occipitalis) que é um lagarto de pequeno porte de hábito diurno.

Observando fotografias aéreas da década de 70 (Figura 7A) e comparando com imagens de satélite atuais (Figura 7B) é possível observar que o campo de dunas na Praia das Cabras já foi muito maior. Porém, este campo de dunas vem sendo constantemente destruído devido a interesses imobiliários e à ocupação descontrolada.

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Figura 5. Areias que formam as dunas da Praia das Cabras. A - Vista de lado de uma duna. B - Vista de cima de uma duna. Fonte: GeoRoteiros

Figura 6. Dunas e lagoas da Praia das Cabras. Fonte: GeoRoteiros.

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Figura 7. A - Foto aérea da década de 70 na região. Notar a área de abrandêcia do campo de dunas. B - Campo de dunas que resisitiu à ocupação humana (imagem de 2009). Fonte: Google Earth / Dillenburg e Hesp (2009)

Localização:

Leitura Recomendada

  • CALLIARI, L. J.; PEREIRA, P. S.; DE OLIVEIRA, A. O., FIGUEIREDO, S. A. 2005. Variabilidade das Dunas Frontais no Litoral Norte e Médio do Rio Grande do Sul, Brasil. Gravel (Porto Alegre), Porto Alegre, v. 3, pp. 15-30.

  • DILLENBURG, S.R.; BARBOZA, E.G.; TOMAZELLI, L. J.; HESP, P.A.; CLEROT, L.C.P., ZOUAIN, R.N.A. 2009. The Holocene Coastal Barriers of Rio Grande do Sul. In: Sergio Rebello Dillenburg; Patrick Alan Hesp. (Org.). Geology and Geomorphology of Holocene Coastal Barriers of Brazil. Berlin/Heidelberg, v. 107, pp. 53-91.

  • FRACALOSSI, F.G.; BARBOZA, E.G.; ROSA, M.L.C.C.; SILVA; A.B. 2010. O Registro em Subsuperfície da Barreira Pleistocênica entre Osório e Tramandaí – RS. Gravel (Porto Alegre), Porto Alegre, v. 8 (1), pp. 21-31.

  • TOMAZELLI, L.J. e VILLWOCK, J.A. 2005. Mapeamento Geológico de Planícies Costeiras: o Exemplo da Costa do Rio Grande do Sul. Gravel (Porto Alegre), Porto Alegre, v. 3, pp. 109-115.

  • WILDNER, W.; RAMGRAB, G.E.; LOPES, R.C.; IGLESIAS, C.M.F. 2008. Mapa Geológico do Rio Grande do Sul, CPRM, Porto Alegre.