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CIDADE DE SANTA MARIA:

Uma história de 227 milhões de anos

Nos arredores da cidade de Santa Maria ocorrem os melhores registros paleontológicos do Rio Grande do Sul, reconhecidos à nível mundial. As rochas que afloram na região foram depositadas durante o período Triássico (±227 milhões de anos) (Figura 1). Neste intervalo de tempo todos os continentes estavam unidos em um Supercontinente chamado PANGEIA.

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Figura 1. Ilustração do Supercontinente Pangeia. Fonte: Modificado de Scotese (2014)

​Os registros paleontológicos

Fósseis de vertebrados são bastante encontrados na região, como por exemplo na figura 2, registrado em nossa saída de campo.

No registro fossílifero de Santa Maria são encontrados dois importantes vertebrados, como o Rincossauro e o Cinodonte. Os Rincossauros (Figura 3) foram considerados répteis e herbívoros, acredita-se que conviveram em um mesmo ambiente que os dinossauros e provavelmente serviram como alimento para os mesmos. Os Cinodontes (Figura 4), foram animais carnívoros e ancestrais dos mamíferos. Esses animais possuíam tamanho de cerca de 1 metro de comprimento por 50 cm de altura.

O que é possível contar com a geologia da região?

 

A geologia no local é composta por pelitos de corvermelha (Figura 5), essa coloração é característica de ambientes lagunares. Observamos, ainda, nódulos e concreções carbonáticas que remetem a um nível freático próximo da superfície, e oscilações mais ou menos rápidas do nível da água, formando condições favoráveis para a carbonatação e outras alterações, na medida em que permitiram a mobilidade física e química dos materiais.

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Figura 2. Osso fóssil de vertebrado encontrado no local. Fonte: GeoRoteiros

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Figura 3. Reconstituição artística de um Rincossauro. Fonte: Setor de Paleovertebrados UFRGS (http://www.ufrgs.br/paleovert/galeria.html).

Essas evidências geológicas remetem a uma paisagem muito diferente da atual (Figura 6), sendo composta por grandes corpos lagunares e rios meandrantes cortando um ambiente árido. O clima era muito mais quente e úmido que os tempos atuais, já que os continentes estavam todos reunidos em uma mesma massa de terra, dificultando a circulação de massas de ar vindas do oceano para dentro desse imenso continente.

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Figura 5. Afloramento composto de pelitos de coloração vermelha, com foco para linhas brancas formadas por concreções carbonáticas. Fonte: GeoRoteiros.

Figura 4. Reconstituição artística de uma espécie pertencente a subordem dos Cinodontes. Fonte: Voltaire Paes Neto (https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2017/06/15/oito-novas-especies-sao-descobertas-a-partir-de-fosseis-escondidos-no-rs.htm?cmpid=copiaecola).

Conhecer para Preservar

 

Tudo que se sabe hoje da região de Santa Maria só foi possível através de estudos de pesquisadores, como Geólogos, Paleontólogos, Biólogos, Botânicos, etc. O registro fóssil preservado há mais de 200 milhões de anos são considerados tesouros para esses pesquisadores, pois contam histórias extraordinárias.

Caso o leitor tenha a felicidade de encontrar essas relíquias em algum passeio pela região, guarde e leve ao museu ou universidade mais próximo, pois pode ser um novo capítulo dessa grande história.

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Figura 6. Paisagem semiárida reconstituída do período Triássico. Provável ambiente na região de Santa Maria há milhões de anos atrás. Fonte: Rhodes et al. (1962).

Localização:

Leitura Recomendada

  • ALONSO-ZARZA, A.M. 2003. Palaeoenvironmental significance of palustrine carbonates and calcretes in the geological record. Earth Science Reviews, 60:261-298.

  • DA ROSA, A.A.S. 2004. Sítios fossilíferos de Santa Maria, RS, Brasil. Ciência e Natura, UFSM, 26(2):75-90.

  • FACCINI, U.F. 2000. Estratigrafia do Permo-Triássico do Rio Grande do Sul: Estilos Deposicionais versus Espaço de Acomodação. Tese de Doutorado, 297 p., Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

  • FONSECA, M.M. e SCHERER, C.M.S. 1998. The Meso and Late Triassic of south Brazilian Gondwanaland: a process oriented analysis of the fluvial deposits. In: Epicontinental Triassic International Symposium, 1, Abstracts, Alemanha, p. 51-52.

  • RUBERT, R.R. e SCHULTZ, L.C. 2004. Um Novo Horizonte de Correlação para o Triássico Superior do Rio Grande do Sul. Pesquisas em Geociências, 31(1):71-88.

  • ZERFASS, H.; LAVINA, E.L.; SCHULTZ, C.L.; GARCIA, A.J.V. ; FACCINI, U.F.; CHEMALE Jr., F. 2003. Sequence stratigraphy of continental Triassic strata of Southernmost Brazil : a contribution to Southwestrn Gondwana palaeogeography and plaeoclimate. Sedimentary Geology, 161:85-105.