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GEOSSÍTIO SÃO LUIZ:

Fósseis de relevância internacional

O geossítio São Luíz está localizado na área urbana do município de Faxinal do Soturno, no Estado do Rio Grande do Sul. Suas rochas foram formadas no período Triássico (251 a 199,6 milhões de anos atrás), na parte sudoeste do supercontinente Pangea (Figura 1).


Este é o principal afloramento fossilífero da região da Quarta Colônia, com cerca de dois hectares de área, onde podem se encontrados fósseis em pavimentos, ravinas e barrancos. Sua importância se dá pela grande quantidade de fósseis que podem ser encontrados no local, desde lenhos petrificados até ossos de cinodontes, os ancestrais dos mamíferos.

Figura 1. Mapa do mundo ao final do período Permiano e início do Triássico, com a localização dos atuais continentes. Fonte: modificado de www.scotese.com

​Registros do Paleoambiente

O Geossítio possui cerca de 12 metros de altura, sendo composto predominantemente de arenitos, pelitos e ritmitos (camadas de rochas sedimentares de diferentes tamanhos de grãos que se alternam).


Os arenitos que ocorrem na base do geossítio são interpretados pelos geólogos e paleontólogos como tendo sido locais de desembocadura de rios (Figuras 2A e 2C). Acima destes são observadas rochas de granulometria fina, tamanho silte e argila, e com registros de estruturas laminadas que são comumente interpretados como tendo sido formados em lagoas (Figura 2B). Os ritmitos que ocorrem logo acima apresentam marcas de ressecamento e marcas de raízes, o que nos permite relacionar esses sedimentos a depósitos de planície de inundação de um sistema fluvial, que estavam sujeitos a alternâncias entre períodos de clima seco e períodos de inundação (Figuras 2D e 2E). É essa associação de rochas com diferentes características que permite classificar o local como um ambiente fluvial que possuía lagos transitórios em sua zona de inundação (Figura 3).

Figura 2. Associação de rochas presentas no geossítio São Luiz. Fonte: GeoRoteiros

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Figura 3. Analogia do afloramento com um ambiente atual em área do Rio Cai - RS (imagem de satélite). Fonte: GeoRoteiros e modificado do Google Earth

Marco Paleontológico Nacional

O clima durante o período Triássico e no início do Jurássico era extremamente seco e quente. A fauna era dominada por répteis de diversos tipos, que eram muito bem adaptados às condições inóspitas das vastas planícies áridas que dominavam o cenário do Rio Grande do Sul naquela época. A flora era composta principalmente por gimnospermas, mais comumente conhecidas como pinheiros e coníferas, que eram o tipo predominante de vegetação durante o Triássico devido às suas adaptações para climas secos.

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Figura 4. Lenho fóssil encontrado no afloramento. Fonte: GeoRoteiros

Essas evidências geológicas remetem a uma paisagem muito diferente da atual (Figura 6), sendo composta por grandes corpos lagunares e rios meandrantes cortando um ambiente árido. O clima era muito mais quente e úmido que os tempos atuais, já que os continentes estavam todos reunidos em uma mesma massa de terra, dificultando a circulação de massas de ar vindas do oceano para dentro desse imenso continente.

O registro paleontológico do Geossítio é riquíssimo. São muito comuns os fósseis de lenhos (Figura 4) e plantas, sendo bem conhecida a sua flora de coníferas (popularmente

chamados de pinheiros), tendo sido descritas as espécies Sommerxylon spiralosus, Brachyphyllum (Figura 5), Araucarioxylon (Figura 6), Cyparissidium e Pagiophyllum. Podem ser vistos também diversos fósseis dos antepassados da planta ginkgo, que é a única sobrevivente atual de toda sua divisão do reino das plantas.

Numerosos fósseis de animais podem ser encontrados no geossítio. Além dos restos mortais de peixes e insetos, podem ser encontradas também as ossadas dos esfenodontídeos,

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Figura 5. Ramo de conífera Brachyphyllum. Fonte: GeoRoteiros

                           que são os parentes das cobras e lagartos atuais, e dos cinodontes (cino = cão + odontos = dente). Esses últimos, pequenos lagartos do tamanho de cachorros que podiam ser tanto herbívoros quanto carnívoros, são de grande importância para a paleontologia devido ao fato de que eles são os ancestrais dos mamíferos.

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Figura 6. Tronco de Araucarioxylon na cidade de São Pedro do Sul. Fonte: GeoRoteiros

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Figura 7. A e B - Fóssil de Cinodonte (Fonte: GeoRoteiros e Bortoluzzi e Barbarena, 1967). C - Ilustração de como seria um Cinodonte vivo.

Conhecer para Preservar

O conhecimento sobre o passado da região de Santa Maria e Faxinal do Soturno constitui-se em dos mais importantes registros no Brasil para o período Triássico. O Rio Grande do Sul está inserido dentro da região onde os mais antigos fósseis de dinossauros do mundo foram encontrados, o que, por si só, já faz de qualquer achado no local uma importante peça no quebra-cabeça da história do planeta Terra. A preservação e divulgação desse patrimônio é responsabilidade de todos que trabalham na área do ensino, seja ela qual for.

Localização:

Leitura Recomendada

  • BORTOLUZZI, C.A. e BARBERENA, M. 1967. The Santa Maria Beds in Rio Grande do Sul (Brazil). In: Problems in Gondwana Geology, (edited by Bigarella J. J., Becker R. D., Pinto I. D.), pp. 169-196. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 344p.

  • RUBERT, R.R. e SCHULTZ, L.C. 2004. Um Novo Horizonte de Correlação para o Triássico Superior do Rio Grande do Sul. Pesquisas em Geociências, 31(1): 71-88.

  • ZERFASS, H., CHEMALE Jr., F. SCHULTZ, C.L., LAVINA, E. 2004. Tectonic and sedimentation in Southern South America during Triassic. Sedimentary Geology, 166: 265-292.

  • Geoparque Quarta Colônia – RS (Proposta) (n. d.). Retirado em 29/09/2017 de http://www.cprm.gov.br/publique/media/gestao_territorial/geoparques/quartacolonia/introducaocolonia.html